Menos um…

Eu tenho um papelzinho que diz assim:

Ensino infantil -> ok

Ensino fundamental -> quase

Ensinho médio -> falta

Ensino superior -> falta

Bem, essa semana eu coloquei mais um ok nessa lista: terminei a 9ª série. Minha missa foi segunda-feira e foi uma das coisas mais estranhas que eu já presenciei. Pra começar, mais de 50% do público presente era evangélico (isso não é uma coisa que se vê todo dia). O nome do padre era Jesus e ele baseou todo uma sermão em uma palavra: babau. “Se você não estudar, não se dedicar: babau”. Eu sinceramente tive de lutar com todas as minhas forças pra não rir. Na hora da comunhão, o prato com as hóstias foi o último a entrar, porque antes vieram a blusa do colégio, a agenda do colégio, a bola de basquete com o nome do colégio e mais uns 15 itens que eu não me atentei em saber quais eram (mas todos com o nome do colégio).

Eu não sou religiosa, nem um pouco. Eu acredito em Deus, mas não na Igreja. Não gosto de como a Igreja católica maneja seus fiéis, mente e deixa seus padres livres até para abusar de menores. Não gosto do jeito como ela só faz burradas, reza 100 ave-marias e acha que o perdão vem assim tão fácil.

Minha família é religiosamente heterogênea: eu sou isso que vocês acabaram de ler, meu pai e meu tio são ateus (daqueles que disem “eu sou ateu, graças a Deus”), tenho outro tio que é do Santo Daime, uma tia espírita, minha mãe e minha vó são católicas e por ai vai. É por essas e outras que meus colegas tem medo da minha família.

Mas voltando ao assunto principal: eu fui a oradora e li o juramento dos concludentes, que dizia assim:

Envolvido por Teu amor, pela Tua bondade e por Tua generosidade, eu me comprometo, Senhor, em acreditar no amanhã, fazer dos meus sonhos o meu caminho. Fazer do meu próximo mais que um amigo: um irmão. Comprometo-me, Senhor, em fazer somente o bem e jamais prejudicar aqueles que me cercam. Encaminharei meus esforços, sempre, para o engradecimento da humanidade e que meu trabalho, seja qual for, tenha a Tua bênção.

Eu sei, quem escreveu isso merece um tapa.

Enfim, depois que eu liguei o modo automático e li o juramento, os padrinhos entregaram os diplomas e acabou a missa. Imediatamente todos os concludentes, inclusive eu, foram tomados por um estado de euforia digno de transtorno bipolar. Começaram os flashes, os abraços, os gritos, a entrega dos DVD’s com as fotos da formatura. Eu sai com meu pai, minha mãe minha tia e meu primo para jantarmos e comemorarmos “mais uma etapa completada da minha vida”, segundo meu pai. Eu não conseguia parar de falar, comer camarão, ler meu diploma e ver as fotos na máquina, parecia até um ratinho que tinha tomado Red Bull.

Eu cheguei em casa e comecei a pensar: “Ok, menos um. Agora só falta o ensino médio, a faculdade e eu posso ficar livre pra viajar e fazer meu mestrado e doutorado fora do país”. Mesmo com essa pespectiva de futuro, que sempre foi o meu maior sonho, eu comecei a sentir saudades. 2010 foi o melhor ano da minha vida. O ano em que eu vi que eu podia ser feliz sendo eu mesma, sem ter que aparentar tanta maturidade. Quando eu vi que me preocupar com as coisas fúteis da vida algumas horas por dia não é um pecado tão grande. Quando eu conheci a maioria dos meus poucos e bons amigos, que me ajudaram a superar todas as asneiras que eu fiz e me abriram os olhos quando eu não conseguia ver que estava errada. Eu sei que eu posso ter muitas vezes errado até demais, ter machucado muita gente, mas isso faz parte da vida (pelo menos eu acho né) e eu tenho consciência da minha responsabilidade para com os meus erros, por mais que seja doloroso reconhecê-los.

Eu só quero que os anos que vierem sejam bons como esse, que me tragam tantas oportunidades e momentos felizes.

Falta um mês pra 2011. Esperemos o futuro.

G.

Asneiras anteriores:

Top asneiras

Twitter

Error: Twitter did not respond. Please wait a few minutes and refresh this page.